Cortar o cabelo é a maior diversão
25/07/12 07:05
A cada 15 dias, cumpro um ritual totalmente inútil: cortar o cabelo.
Por que alguém que não tem cabelo gasta dinheiro numa barbearia?
Se você conhecesse o Seu Valter, o barbeiro aqui do bairro, entenderia: cortar o cabelo com ele é uma terapia.
Em primeiro lugar, a barbearia é linda. Seu Valter diz que as cadeiras e os espelhos têm mais de cem anos. “Tem gringo que vem aqui só pra fotografar minha cadeira”.
O corte com máquina zero custa dez reais e não leva não de meia hora. Quer dizer, o corte leva cinco minutos, os outros 25 são dedicados às histórias do Seu Valter.
O sujeito tem o dom da palavra. Narra casos com a fluência de uma novela de rádio, entende a noção de pausa e tem um “timing” de comediante. É um verdadeiro artista.
Os temas giram sempre em torno dos vizinhos, que ele considera uns barnabés indignos de sua companhia.
Valter mora numa pequena vila de uma área rural, onde a luz só chegou há uns 10 anos.
Um dos últimos casos que ele contou envolvia uma vizinha que tinha comprado um laptop – “chinês”, segundo o Valter – e que “explodiu” depois que ela “usou um chip comprado num camelô”.
Outro caso estrambólico foi o de um conhecido que comprara um Fiat Palio muito bem conservado, “um chuchuzinho”, mas que não tinha dinheiro para fazer o seguro e, no primeiro passeio, atropelou um boi e deu perda total na caranga.
Semana passada, Seu Valter – que estava passando o diabo por causa de uma dor nas costas – relatou sua saga em busca de uma tomografia.
Disse que o atendente do SUS da cidade lhe deu duas opções: esperar oito meses por um exame num hospital da região ou pegar uma kombi da prefeitura e fazer o exame em Teresópolis, a 270 km de distância.
No dia seguinte, ele embarcou às 4 da manhã numa kombi lotada. Foi sentado ao lado de uma vizinha, que estava morrendo de medo de fazer a “tal da tomografia”.
Demoraram cinco horas para chegar a Teresópolis. A vizinha passou o tempo todo rezando e falando sozinha: “Ai, meu Deus, o que será essa tomografia? Dói?”
Segundo Valter, a vizinha estava tão nervosa que teve de ser carregada pelo pessoal da Kombi até a sala do exame.
A muito custo, conseguiram convencê-la a deitar na mesa do aparelho. Mas quando a mesa se moveu e a moça percebeu que ia ficar dentro do cilindro do tomógrafo, teve uma crise de nervos e começou a gritar. “Aí a máquina fez um barulhão e ela começou a chutar o aparelho por dentro”, disse Seu Valter, às gargalhadas.
“E o seu exame, Seu Valter, o que deu?”
“Eu tô f*dido. Tô com uma hérnia de disco do tamanho de uma manga. O médico disse que pode me operar, mas que só vai curar uns 40%. Eu disse pra ele que só aceitava 50% no mínimo, por 40% não vou entrar na faca nem f*dendo!”
fiquei 8 anos sem cortar o cabelo; destes, pelo menos uns 2 foram pra tomar coragem e escolher um lugar pra cortar a juba… escolhi um salão de beleza, aonde só tem gata tanto trabalhando, quanto de cliente; estou muito feliz lá, obrigado.
Adoro livros, adoro filmes, mas nada é tão interessante quanto conversar com pessoas que sabem contar histórias! Valeu, Barça, por dividir conosco esse episódios. É por isso que eu sempre dou uma passada no “Confraria de Tolos”.
O barbeiro onde corto é daquele que faz o pézinho com navalha. Um dia, percebi que ele não trocava a lâmina entre um cliente e outro, e pedi que ele trocasse quando fosse minha vez. Ele prontamente atendeu o pedido e nunca mais se esqueceu nas minha visitas seguintes. E lá se vão uns 15 anos que corto com ele. Ele não fez mais que a obrigação, mas ganhou meu respeito.
barbeiros ainda existem? que bacana, achei que ja haviam entrado em extincao e os clientes tinham migrado para os cabeleleiros…
para mim, barbeiro eh sinonimo de gente ruim no volante! alias, nao faco ideia do motivo de terem inventado essa analogia, haha
a expressão “Motorista Barbeiro”, procede da década de 40, quando motoristas mais apressadinhos cortavam o trânsito e passando raspando a outros veículos, então surgiram comentários como “navalhadas”, ou seja fazendo “barbeiragem”, originando assim a expressão motorista barbeiro para os que dirigem mal e desrespeitam as regras de trânsito.
Putz, que comentário nada a ver…
Como boa mulher, deve ser ótima no volante. Por isso não conhece a expressão.
André, mas vc já pensou em fazer implante capilar, peruca ou qualquer uma dessas técnicas “modernas” para ter seus cabelos de volta????
De maneira alguma.
Cara, já viu o Di César (é assim que se escreve?) não sei se do último big brother? O cara era carequinha e agora tem cabelo! Fica muito natural. Hoje existem técnicas muito avançadas de implante! Espero que fiquem mais me conta, como o que aconteceu com os implantes de seios. Isto pode ajudar nosso amigo Jair abaixo…
Implante capilar? Acho que manter a careca é bem mais decente. De preferência raspando mesmo, afinal deixar crescer o cabelo só na lateral também é ridículo.
Porra, implante é foda hein. Independente do que vc for, que seja com dignidade.
Isso que é falta de assunto hem, ! Mas vamos lá, eu também tenho o ingrato destino de ser calvo, pra quem é metaleiro como eu, isso é uma sentença de morte. Mas já que a natureza quis assim, eu ajudo ela, agora eu mesmo raspo e ainda depilo. É CRUEL! Mas é a vida.
Jair, o tema do post não é calvície, mas o barbeiro.
A minha situação é semelhante. O meu cabeleireiro percebe as sutilezas da política melhor do que meus colegas professores e muitos cientistas políticos que aparecem na tv.
André,
tem um episódio do seriado Married … With Children (Um Amor de Família) em que o Al Bundy se revolta quando a barbearia do bairro é fechada. Ele usa vários argumentos do pessoal aqui do blog e se recusa a cortar o cabelo em cabeleireiro. Não lembro o final da história. Deve ter no You tube.
Já me mudei de bairro algumas vezes aqui no RJ e sempre continuo indo no barbeiro antigo até achar um barbeiro bom no bairro novo. Está cada vez mais difícil, mas (assim como o mestre Al Bundy) me recuso a entrar num cabeleireiro. Infelizmente a molecada hoje já começa indo no cabeleireiro. Tenho um sobrinho que acho que nunca entrou num barbeiro.
Andrezão,
Corto o cabelo na Ilha das Cobras, com o Widson, a barbearia chama Coisa de Macho. O cara também é uma figuraça. Mas onde fica a barbearia do Seu Valter? Fiquei curioso pra conhecer. Além do quê é mais barato do que onde eu corto, pago 13 pilas.
Abração.
É o salão Paraty, em frente ao Centro Histórico. Mas ele só cobra 10 pilas se for corte na máquina zero, o preço para cortes “normais” é 20, acho.
Barça seu pão duro! kkk
Fala, André
Eu moro no interior de São Paulo e aqui ainda tem umas barbearias bem old school…nada de xampuzinho, creminho e essas coisas. É tesoura direto, e burrificadorzinho de água quando o negócio tá feio.
Mas eu só queria te pedir, pelo amor de Deus, que vc NUNCA MAIS publique um comentário sequer do Felipe de Interlagos. Puta cara chato, mala sem alça, com umas piadinhas sem graça nenhuma, e tenho certeza que 98% das coisas que ele fala é tudo mentira, fica inventando historinha achando que é o cara mais legal do mundo. Vou fazer um abaixo assinado pra esse cara sumir daqui.
Valeu
Assino! Mas acho que nem macumba dá conta…
Dna. Nena minha vizinha resolvia isso com um despacho do bom!
Depende do macumbeiro!
Pior que não deve ser mentira não… rsrsrsrs.
Cara. Não conto mentiras. Só relato coisas que aconteceram em minha vida. Se sua vida foi/é chata, paciência. Tem gente que vive e tem outros que ficar perdendo tempo para criticar os demais no Facebook, no Twitter, na Folha… tudo indie estatal!
Estes fãs revoltado viu!?
kkk
* revoltados.
Tem um desses tiozinhos aqui perto de casa mas infelizmente parei de ir lá porque o barbeiro lá já não tem tanta firmeza nas mãos, chega até ser meio preocupante. Me lembro da minha adolescência, quando homem só cortava cabelo em barbeiros, no que eu frequentava tinha uma pilha de revistas Playboy e sempre tinha a edição do dia do Notícias Populares (será que vc já trabalhava lá?), sempre rachava o bico com as headlines pitorescas do jornal.
Legal, Barça aqui ma minha cidade tem uma barbearia ” Príncipe” , e mesmo eu sendo tão careca como você faço questão de ir ali, ouvir os causos e rir um pouco, alem do mais mesmo tendo poucos cabelos no meu cucuruco, o serviço e caprichado, toda vez que vou lá e como se eu fosse um cabeludo tal o cuidado que eles tem em cuidar do cabeção.
hauhauhau!!
“não vou entrar na faca nem fudendo”
genial!!
Aqui também é assim : só piada, história! Parabéns pelo post.
O filme “O Príncipe em Nova York” a cena da barbearia transmite bem o que realmente rola lá. Conversa fiada, piadas, um barbeiro fingindo que está cortanto o cabelo só fazendo os movimentos com a tesoura, o cliente só acompanhando a conversa do véios..Enfim, é um refugio onde os homens nem sempre vão para fazer barba ou cabelo, só pra ouvir ou contar histórias mesmo.
Coitado do seo Valter, dependendo do SUS…
Corto o cabelo desde que nasci no mesmo cara, há 35 anos portanto. Isso por causa do meu pai, que deve cortar lá há uns 40. Figuraça, santista roxo, boleiro, que subiu na vida e agora corta o cabelo do… do…. Roberto Justus… ahahahahahahahahah
Como eu encho o saco dele por cortar o cabelo do Justus…
Sensacional! São lugares assim que realmente fazem falta nas grandes cidades…
André, sei como é essa sua situação cabeleirística, é igualzinha a minha mas pena que essas barbearias de “macho-jurubeba” como diria seu colega Xico Sá estão acabando, sendo substituídas pelos cabeleireiros fashion e caras que torram uma nota preta para ficar com a juba igual a do Neymar….
Ou, torram uma grana pra fcar com aquele cabelinho digno de hipster.
Homem tem de cortar o cabelo é em barbearia mesmo. Até as conversas são melhores: cachaça, mulher, futebol, jogo do bicho e putaria em geral.
Muito legal o post. Eu também vou cortar meu cabelo numa barbearia aqui em Londrina. A mesma há quase vinte anos.
Ele fica num centro comercial bem no coração da cidade, ao lado de um boteco bem tradicional que serve um bolinho de bacalhau e uma mandioca com costelinha de porco dos deuses.
Assim, enquanto vou ouvindo as histórias de meu barbeiro, ex-jogador de futebol profissional, me delicio com o aroma que vem do movimentado bar ao lado.
Claro que depois do corte é inevitável dar uma esticada até o boteco…
Abraço.
Olá, Barcinski. Meu barbeiro era quase assim: lugar limpo, impecável, cadeira antiga, navalha antiga, máquina antiga, gravata e avental. Sempre. Até a colonia e o talco eram antigos. Dizia que tinha sido barbeiro dos pracinhas da FEB. Levava uma hora e quarenta para cortar um cabelo. Foi meu barbeiro por uns 20 anos, até falecer, há dois anos. Já era velho quando o conheci. O problema era que sempre contava as mesmas histórias e sempre fazia as mesmas perguntas… para todos os seus clientes.
Invejo muito os homens por irem ao barbeiro. Os assuntos são sempre pitorescos. Nós mulheres somos obrigadas a frenquentar salões de beleza, onde o assunto invariavelmente gira em torno de novelas, reality shows e fofocas de celebridades. Não tenho escapatória, boto um fone na orelha com heavy metal e espero a tortura acabar.
Bia, não precisa ter inveja não…tem muito barbeiro bom no país. Com certeza vão cortar bem seu cabelo. Só não vai ter frescura de musse, xampu caro, anti-frizz, etc…no máximo uma aguinha quentinha na hora de lavar. De quebra, você ganha uma Acqua Velva ou talco no pé do cabelo e na costeleta…
Caro Barça, sofro do mesmo mal capilar que você e também vou a uma barbearia aqui da minha cidade. A foto da cadeira é idêntica a do barbeiro que aliás é uma figura também. Bão de prosa e gosta de pescaria. Também gosta de contar uns “causos” (em Minas é assim mesmo). Além de contar os causos, a risada dele é algo inexplicável e contagia a todos que por ali passam. Dá pra ouvir a risada a 1 km de distância. P.S. O corte de cabelo aqui tá R$ 8,00. rs
Mais barato que aqui!
Essa foto é a legítima cadeira da barbearia do Sr. Valter? Não sei porquê, mas sempre quando sento nessas cadeiras eu dou risada enquanto o cabeleireiro pisa na alavanca para a cadeira subir e fica dando aqueles trancos, fica 1 minuto nessa situação constrangedora, pior que sente a porrada bem no traseiro.
Não, essa achei na Internet.
Porrada no traseiro… hehehe (a lá Beavis and Butt-Head).
Que sensacional! Eu também prefiro cortar o cabelo em barbeiro, nada de cabeleireiro! O problema é que essa espécie está acabando… Seu Valter fica em Parati? 1 abraço!
Quando era mais jovem – criança – costumava cortar o cabelo com o mesmo tiozinho. Creio que por ele já ser meio velhinho, não tinha mais muta paciência e firmeza com as mãos. Sempre fui um menino agitado, sempre acabava mexendo e, na hora de fazer o “pézinho” do cabelo eu tomava umas navalhadas. Até hoje tenho receio de navalha, e não corto com… começo a suar frio!
O mesmo barbeiro tinha um papagaio. Bichinhos espertos eles não? Era só me ver já soltava todos os palavrões que eu tinha ensinado! Meu pai sempre me dava bronca mas não tinha jeito. Era lá o bichinho “filha da fruta!”… kkk
Hoje em dia uso um “pseudo-mohawk” pra esconder a crescente falta de cabelo em cima e “aproveitar a aerodinâmica” oferecida pelas também crescentes entradas da linha da testa. Corto o cabelo a cada três semanas. As vezes meu cavanhaque produz mais “pelos no chão” do que minha cabeça. Sempre peço desconto, pois na real mesmo corto os cabelos do lado só. Mas… a barba sai de graça.
Barça, já pediu desconto? Já pediu para incluírem a barba no preço do corte? E o que acha do corte pica na frente e corta atrás?
Un abrazo!
Mala
Aceita carregá-la? Dou caixinha…
Nem pagando as pessoas te aguentam…
Quer barganhar né? Tá bom… 1 real, que diz?
Caramba, no meu bairro tem uma igual. Linda, cadeiras antigas, piso xadrez e claro, um monte de pôsteres de antigos Campeonatos Cariocas. Me lembro de ir lá quando cortava o cabelo. Era um barato ficar ouvindo a conversa do pessoal das antigas.
Muito bom o post…Eu costumava cortar o cabelo em uma barbearia só para “machos”. Não tinha nem manicure. Revista, só de carro, moto e mulher pelada, ou seja, nada de Caras. A única peça de decoração era um freezer daqueles de botequim cheio de cerveja gelada. O cliente poderia ler a Playboy do mês, cortar o cabelo e tomar uma gelada ao mesmo tempo, o que não era incomum…bom né?
Isso sim é barbearia.
Muito legal!!! Corto o cabelo há mais de dez anos no mesmo lugar, na Santa Cecília, com a mesma pessoa. O cara não é tão figura como o Sr. Valter, mas entre seus clientes ilustres estão o nosso amigo Zé do Caixão e um cara que compôs a música mais famosa do Wando “Fogo e Paixão”. Abraço!
PS: To tendo que acessar seu blog de outro computador, pois no meu já estourei o limite gratuito rs..
O Mojica corta lá? É no centro?
Sim, lá no bairro Santa Cecilia em frente ao metrô. Parece que ele mora lá perto.
Lembro do meu vo,kardecista, que dizia que falava com os mortos e com meu labrador Ozzy que inclusive o respondia,numa ocasião os dois divergiam sobre o preço do cigarro meu dizia que era 1,20 e meu cachorro 1,60.conclusão do meu vo.O Ozzy estava certo.
Era do bob marley o cigarro Eden? Eu JURO que não entendi… o contexto de vosso comentário.
Desculpe se não me fiz entender, o engraçado disso tudo são as historias destas pessoas , não barbeiro especificamente , poderia ser qualquer outra pessoa.