O império das babás
16/04/13 07:05Costumamos frequentar uma praia perto de casa. É uma praia pequena e nunca fica cheia. Tem um quiosque com ótimos frutos do mar e que não tem som ambiente. Perfeita.
Na praia, há um pequeno condomínio de quatro casas, que o dono aluga para fins de semana e feriados. Dia desses, um grupo de cinco ou seis famílias alugou todas as casas.
Eram famílias jovens. Os pais deviam ter por volta de 30 anos. Todas as famílias trouxeram os filhos. Além das crianças, trouxeram também um batalhão de babás. Contamos oito.
A cena chegava a ser cômica: de um lado, os pais tomando cerveja na praia. A alguns metros, os filhos brincando com as babás, todas vestidas de branco. De vez em quando, um pai se dignava a ir lá, pegar o filhão e tirar uma foto, para logo depois voltar ao papo com os amigos.
Dali a pouco, chega um barco, que eles haviam alugado para um passeio. Todas as crianças foram levadas até uma pequena piscina dentro do condomínio. Ouvi uma mãe comentando com outra: “Se o Fefê vê a gente saindo, abre o berreiro!” Os pais saíram para o passeio de barco, deixando as crianças numa piscina minúscula, atendidas por oito babás.
Essas coisas nunca deixam de me surpreender. Será que os filhos não gostariam de passear de barco? Visitar ilhas? Mergulhar? Um pai não acha divertido fazer isso acompanhado dos filhos?
Também entendo que babás sejam necessárias, especialmente para casais que trabalham fora. Não é só herança cultural e social brasileira, mas resultado também de nossa legislação.
Dia desses, um casal de amigos alemães contou que cada um teve um ano de licença remunerada do emprego quando nasceu o filho. Além disso, a escola da criança era em período integral e os horários casavam com os horários de trabalho deles. Ou seja: eles podiam levar e buscar a criança na escola. No Brasil, o pai tem uma semana de licença-paternidade e a mãe tem de quatro a seis meses.
Independentemente das leis, acho impressionante como as pessoas usam babás como “muletas”. Parece que não conseguem viver sem elas. Tudo bem usar os serviços de profissionais durante a semana, mas num sábado de sol? Na praia?
Quantas vezes não fomos tomar café numa padaria, num domingo de manhã, e vimos mães jovens falando ao celular enquanto a babá passa manteiga no pãozinho da criança? Ou babás levando crianças ao teatro enquanto o pai compra um tênis novo no shopping? Dá para imaginar que tipo de cidadão está nascendo desse distanciamento?
O pior de tudo é o motivo de terem babá ou para aqueles que não podem pagar babá, deixam com os avós….motivo, egoísmo. Muitos pais, principalmente mulheres querem se realizar com a maternidade e esquecem que para isso precisam ser mães.
Barcinski, dá para imaginar, sim. Vendo pais que não se incumbem do mínimo – passar manteiga no pão, conversar, levar para passear, explicar as coisas – é quase natural que essas crianças pensem que todas as suas tarefas ou responsabilidades podem ser terceirizadas.
Sugiro dar uma volta no verdadeiro Brasil, onde 99,9999999% da população não tem nenhuma babá contratada, quando mais passeio de barcos, ferias em Paris…Isso é coisa de novela!
Vamos ser francos, estamos falando de uma minoria, BEM minoria mesmo. Se fosse uma tendencia mesmo aí sim seria uma preocupação…
Ah, tá bom: só o Luis é que anda no “verdadeiro Brasil”. Ande em qualquer shopping, de qualquer bairro e classe social, e confira. Quem falou de “férias em Paris”? Com o aumento do poder aquisitivo da população – e não só de uma parcela – isso vai aumentar ainda mais.
Desculpe André, mas frequento os shopping’s e bairros de diversas classes sociais e não vejo nenhuma tendencia de crescimento uso de babás (full time) ou qualquer outro funcionário doméstico uma uma parcela minimamente representativa. Ainda mais agora com as mudanças da legislação trabalhista para essa categoria…
O custo de serviços no Brasil aumentou absurdo nas ultimas décadas. É mais ou menos (claro, guardando as devidas proporções) o que ocorreu (a muito tempo) nos paises ricos. Onde produto é barato mas serviços, principalmente esses domésticos, é carríssimo, mesmo para alguem com um poder aquisitivo bem razoável.
Concordo com voce, que o poder aquisitivo do brasileiro melhorou bastante, mas não a ponto de ver babás trabalhando/criando os filhos “full time” nas casas da classe média que seja.
Não estou dizendo aqui que a atitude de algumas familias, como as que voce retratou no seu artigo seja falsa (pelo contrário acredito), só quis dizer que trata-se de uma parcela insignificante da população e não vai aumentar.
As pessoas são tão egocêntricas que nem filhos fazem mais! E quando fazem é desse jeito. Curiosamente dessa forma os filhos da elite acabam sendo criados de maneira tão pouco humana quanto os estrupícios gerados nos bailes funk( que de um jeito ou outro vão determinar o futuro do país, afinal a maioria prevalece).
Não é só da “elite” não. Quem falou em “elite”?
A importância do senhor de engenho perante a sociedade era medida pelo número de escravos que sujeito tinha. 300 anos de escravidão não se apaga da mentalidade da sociedade em pouco mais de 100 anos.
Perfeito o comentário.
Os caras têm filhos como quem compram um brinquedinho novo. Muito comum esse tipo de atitude também entre algumas pessoas que têm animais de estimação: cansam do ‘brinquedinho’ e abandonam. Como criança não é bem assim pra abandonar …
Acho que quem não curte filhos não poderia tê-los.
Realmente fico preocupado com essa nova geração que vem por aí. Babá é bom para quando os pais trabalham fora, precisam de um descanso a noite, vão sair para uma noite de diversão (balada, cinema, teatro, show). Deus me livre criar minha filha com esse distanciamento.
Tenho 3 filhos e sei como é trabalhoso e ao mesmo tempo recompensante cuidar deles. Tenho uma empregada em casa para recebê-los da escola e esperar que eu chegue do trabalho.
Não acho que contratar empregadas/babás seja errado; concordo com o Barça quando ele diz que as crianças são hoje “empurradas” para elas para que os pais se “divirtam”. Por que não fazem um esforço para se divertir com eles? ISSO está errado. Seja lá porque teve filhos, agora cuide deles porque são SEUS.
Sou pai de dois filhos e não temos babá aqui em casa. Portanto fazemos bastante coisa com as crianças, o que inclui praia, cinema e acompanhar as atividades escolares, entre outras coisas. Mas acho que estas situações, envolvendo ausência dos pais, que você menciona no post, não serão prejudiciais ao futuro das crianças. Algum tempo atrás, ao ler Guerra e Paz do Tolstoi, percebi que as crianças russas do século XIX também eram criadas num distanciamento muito maior dos pais. Preceptoras eram escolhidas e educavam as crianças, enquanto o pai principalmente, mal tinha contato com os filhos. Ou talvez, tenha sido esta maneira de educar que anos depois que fez surgir o stalinimso.
isso só me deixa mais pessimista em relação a educação e o laço familiar que vamos encontrar adiante.
Compartilho do mesmo ponto de vista. Vá lá que cuidar de dois ou três durante a semana de trabalho é difícil e a babá é uma opção valida, mas num fim de semana? Numa viagem à praia? Num passeio na própria cidade? No shopping?
Estes pais sugerem um egoísmo e falta de companheirismo com os filhos que me choca. São os mesmos que quando entrarem em conflito com os futuros adolescentes dirão de boca cheia: Nunca deixei lhe faltar nada! Voce sempre teve de tudo! Como se fosse verdade.
André, vc não criticou, mas eu critico sim, sou contra a terceirização da criação dos filhos por babás, avós, tios, escolas, etc., a não ser em casos excepcionais, mas se o casal não pode criar filhos, que não os tenha, ninguém é obrigado a procriar!!!!
É incompreensível o que se passa na cabeça desses pais. Como bem disseram aqui, os filhos parecem apenas motivos para os pais ostentarem a vida que levam.
Existe ainda um “babasismo” disfarçado: aqueles que deixam os filhos com os avós.
As crianças dão trabalho? Lógico que dão…mas porque seria diferente?
Deixando bem claro que a crítica é numa situação como na descrita no post: os pais não compartilhando um momento família, íntimo, com os filhos.
A viagem de barco em Paraty é quase todo dia lembrado aqui em casa por meus filhos. Não tem um dia que não pedem pra voltar e passear novamente. Lembram dos peixes, das aves, das praias, de tudo…como não querer participar desse crescimento?
E se for uma babazinha de vinte e poucos, sainha curtinha, cinta-liga, cabelo franjinha, sorriso maroto, cara de inocente, que abaixa para pegar as coisas com a perna esticada? Hein? Hein? Hein? Nhami-nhami!
Asqueroso.
Cabelo franjinha não tem nada de asqueroso.
asqueroso…heheheheehehe
Tem vezes que o melhor do blog são os comentários.