A expectativa era grande: um filme sobre Phil Spector, estrelado por Al Pacino e escrito e dirigido por David Mamet. Foi exibido pela HBO sábado e será reprisado diversas vezes nas próximas semanas.
Mas que decepção: o que poderia ter sido um mergulho na mente atormentada de um dos maiores gênios do pop virou um telefilme policial de quinta categoria.
Se você não conhece Phil Spector, leia este texto, que fiz há alguns meses.
No filme, Al Pacino interpreta Spector e Helen Mirren (“A Rainha”) faz Linda Kenney Baden, a advogada que o defende.
O destino de Spector não é segredo: ele foi condenado a um mínimo de 19 anos de cadeia pelo assassinato de Lana Clarkson, uma garçonete. Spector levou Lana para seu “castelo” e a matou com um tiro.
Se o fim da história já é sabido, por que David Mamet resolveu fazer um filme “de tribunal”, tentando criar suspense? Não teria sido mais desafiador e bacana tentar explicar o que levou Spector a ser o que é?
A vida de Phil Spector foi marcada por extremos: no campo profissional, só triunfos: nenhum produtor da história da música pop chegou perto da sua genialidade e inventividade. No campo pessoal e afetivo, sua vida foi uma sucessão de tragédias: o pai cometeu suicídio em 1949, quando Phil tinha 10 anos. Seu casamento com Ronnie Spector terminou em brigas e processos. Phil virou um recluso, morando num castelo em Los Angeles e colecionando armas.
Tudo isso é dito em “Phil Spector”, mas não explorado. Há UMA recriação de uma cena do passado de Spector, a famosa história em que ele deu um tiro no teto do estúdio, para chamar a atenção dos músicos.
Ninguém estava esperando um documentário sobre Spector. Este já existe e é muito bom: “The Agony and Ecstasy of Phil Spector” (2009), de Vikram Jayanti. Mas David Mamet bem que poderia ter tentado explorar a psique de Phil Spector, em vez de ficar falando de provas, sangue e balística. Isso já foi decidido. O que ninguém consegue explicar até hoje é de onde veio Phil Spector.

E-mail




